quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Saudade baguala.










Nestas campereadas que faço.
Às vezes me perco em recordações.
De momentos mágicos de minha vida.
Guardados em lembranças no coração.

Mas hoje está campereada não está completa. 
Sobra tristeza e falta gente nesta roda. 
Como se essas pessoas amigas tivesse se perdido.
Ficado ali no horizonte, acampado.
 

Conto, um a um, esses índios guapos.
Amigos que passaram na tropeada deste meu viver.
Vejo com pesar e amargura. 
Que muitos ficaram pelo caminho, não posso mais ver.

Hoje deixaram de andar comigo. 
De charlear, cantar, matear.
Em outra cidade ou no céu estão a campear.
Deixando só rastro de saudade dos quais eu sigo.

A noite despacito vem chegando.
E o manto negra cobrindo a tarde serena.
No peito o coração mais um dia aguentando.
Essa saudade baguala, mas agora já mais serena.

Guria.

Guria.


Teu calor é como fagulha. 
Braseando num fogo de chão. 
Secando-me das angústias. 
De uma chuva de solidão. 

Teus olhos, duas estrelas candentes.
Chamarisco para meus desejos. 
Verdes brilhos que se apagam.
Sob a nuvem dos meus beijos. 

Tua boca é uma cacimba. 
De saliva cristalina. 
Mata minha sede de amor. 
É uma vertente que não termina. 





Teus cabelos cor de ouro.
Ondulados nos lançantes.
Onde meus dedos galopam. 
Na ansiedade dos instantes. 

Tuas mãos, casal de garças. 
Em meu corpo vem pousar. 
Para infinitas emoções buscar. 
Na leveza de seu velejar.